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B - Encarregado de ouvir o vento C - Creio nas miragens D - Creio nas estrelas
E - M de Maria F - Wandarylho G - Olhando no espelho
H - Boa noite, noite J - Dores do Parto L - Outros poemas
M - Feliz tempestade, albatroz! N - Quase Contos P - Pôr do Sol!
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N001 O homem que segurava as estrelas
N002 O último e-mail
N003 Minha mangueira
N004 A poltrona dos sonhos
N005 Flores do campo
N006 Não havia lugar para eles
N007 Os três soldados



N007 - Os três soldados. 

Três amigos, quase irmãos, foram convocados para a estupidez da guerra. Partiram, empunharam suas armas e, de repente, estavam na frente de batalha. Mas foram, logo, juntos, capturados pelo inimigo. Prisioneiros, no entanto, dão prejuízo. Por isso, foi decidido que seriam fuzilados. Na manhã marcada, foram colocados juntos no mesmo lugar. O coronel encarregado da execução, porém, deu-lhes uma chance. Colocou uma pistola na mão de um deles e disse:  

— Mate um de seus dois amigos. Se o fizer, libertarei a você e ao outro que restar.

O amigo com a arma engatilhada hesitou. O coronel insistiu:

— A morte do seu amigo não será em vão. Morrendo, ele salva a sua vida e a do outro amigo que você poupar. Além do mais, sejamos razoáveis, melhor um amigo vivo que nenhum! Melhor um só morto do que os três. 

O amigo de arma engatilhada permaneceu parado. O coronel, impaciente, continuou:

—É só fazer as contas. Uma morte salva duas vidas. Se não, os três morrem. Além disso, o amigo morto terá o mérito de salvar a vida de dois amigos. Será, por vocês, considerado herói. 

O amigo de arma na mão quis desistir. Quis entregar a pistola e passar essa responsabilidade para um de seus dois amigos. O coronel não aceitou. Ofereceu a ele uma moeda:

—Sejamos práticos. Se você está na dúvida de qual deles acertar, pois que decida na cara ou coroa. O sorteado vai entender… Não seja indeciso.  Escolha logo! Não demore a vida inteira… 

O amigo, empunhando a arma engatilhada, decidiu não decidir nada. Melhor morrer do que matar. A matemática, ao contrário do que muitos pensam, não é uma ciência exata quando conta o número de amigos e pessoas amadas. É de outra natureza a contabilidade dos sentimentos. Dois nem sempre é mais que um. Às vezes, a morte é mais que a vida. Escolheu, pois, não escolher! Morreriam juntos. Estava decidido. 

Mas o tal coronel irritado (complicado esse coronel…) desta vez não aceitou as regras que ele mesmo impôs. Argumentou que o amigo, empunhando a arma, deveria ser suficientemente adulto e objetivo, capaz de tomar a decisão mais acertada, por mais que ela doesse. 

—Para ficar mais fácil, escolha qual dos dois vai viver. Assim fica mais simples eliminar alguém. Toda opção implica renúncia. Diante de dois caminhos, você só segue um, se não quiser ficar parado. Uma pessoa equilibrada e madura deve aprender a conviver com as perdas ao longo de sua vida. Eu lhe ordeno, portanto, que escolha logo. Se não o fizer, mato seus dois amigos e você viverá o resto de sua vida sabendo que poderia ter salvo um deles. Não há saída: mate um e, assim, dois serão poupados. 

O amigo, empunhando a arma engatilhada, apontou-a para seu próprio peito. Os dois outros ficaram vivos. E o coronel é a vida.



 
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