Clique nos títulos abaixo para abrir os livros
..
B - Encarregado de ouvir o vento C - Creio nas miragens D - Creio nas estrelas
E - M de Maria F - Wandarylho G - Olhando no espelho
H - Boa noite, noite J - Dores do Parto L - Outros poemas
M - Feliz tempestade, albatroz! N - Quase Contos P - Pôr do Sol!
teste de titulo
     
 

N001 O homem que segurava as estrelas
N002 O último e-mail
N003 Minha mangueira
N004 A poltrona dos sonhos
N005 Flores do campo
N006 Não havia lugar para eles
N007 Os três soldados



N005 – Flores do campo

Era um homem como tantos outros que, quase todos os dias, passava por aquele mesmo caminho. E havia, ao lado daquele caminho, uma casa onde morava um linda moça. E o homem que transitava por aquela estrada, um dia colheu flores, flores do campo que ele encontrava ao longo da estrada e, passando, deixou-as no portão da casa. A moça, emocionada, apanhou as flores, levantou a cabeça e fitou o homem que já se afastava. Nos tempos seguintes, o homem repetiu o gesto. Cada vez, com aumentado carinho, apanhava flores silvestres, ajeitava-as num buquê como se ajeitasse versos num poema e deixava-o, com cuidado, ali no portão. E a moça ficava à espera. Às vezes, ela, muito atenta aos detalhes, reparava uma bonina com uma pétala a menos, ou um hibisco machucado. Mas tudo bem... Notava também que o homem nada falava. Ela, só raramente lhe dizia algumas poucas palavras, exclamações monossilábicas. Via-se que o silêncio dele a desgostava. Ela não percebia que as flores são palavras coloridas e que também falam.  Mas, tudo bem, ela gostava muito das flores. Colocava-as num lindo vaso e o vaso ela o colocava ao lado do espelho onde ela se olhava. Escolhia a mais bonita e com ela enfeitava seus lindos cabelos longos. Realmente, as flores combinavam com ela. Mas, a bem da verdade, já estava meio enfarada com essa história... Um dia, o homem lhe trouxe um maço de flores ainda mais belas. E, naquele dia, quando lhe entregou o buquê, não se afastou, ficou ali parado, esperando... Ela, como quase sempre,  nada disse, mas beijou as flores que ganhou. Em seguida, foi buscar seu vaso para que não murchassem. Entrou em casa levando só as as flores. Sozinho, o homem afastou-se de vez, mas  convencido de que ela realmente amava muito, muito suas flores. Por isso, ao se afastar, inventou a Primavera para que, nesta estação de tantas flores, a moça não mais sentisse a falta dele.



 
Copyright ® 2008-2014 Aprendiz de Humano - Todos os direitos reservados.

" É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do autor".